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  Sábado, 15 Julho 2006
Asteróides, Curvas e Resiliência...
É como se a milhões de anos atrás, um Brontossauro estivesse ocupado demais comendo grama (ou seja lá o que fosse que eles comiam...) , para perceber que onde hoje conhecemos como mar do Caribe, um asteróide gigante estava explodindo. E enquanto ele se preparava para descansar um pouco, uma bela onda de 200 metros de altura e uma nuvem densa de poeira cobrindo sol, vinham na sua direção.
“E por aí vai”, como meu pai sempre diz... Sempre achei que isso quer dizer que alguma coisa é chata demais pra explicar, ou simplesmente que o argumento é tão bom que se aplica a tudo mais que quisermos.
Até pouco tempo, garotos cresciam querendo Ferraris e Porsches. Ferris Bueller dirigia uma Ferrari (OK, se você não viu ‘Curtindo a vida adoidado’ pare de ler agora, e corra agora para uma locadora de filmes antigos !). Já não tenho certeza que ainda seja assim.
Numa época em que o mundo parece estar convencido de que o escapismo é a solução para todos os problemas, e a palavra resiliência (nem o corretor do MS Word sabe o que significa...), pode ser aplicada tão raramente às pessoas e suas decisões que está mais extinta que os Brontossauros, as Ferraris podem começar a perder sentido.
Ferraris sempre foram feitas basicamente para fazer curvas, são desenhadas para permitir um nível de grip muito, muito acima do que a grande maioria dos motoristas jamais vai experimentar. Porque então fazer um carro assim? Bom, pra começar, pra ganhar muito dinheiro... Mas também porque as curvas sempre existiram.
As curvas são em essência um problema, situação desconfortável, que ainda exige mais esforços. Todos os dias nos deparamos com curvas, mas muita gente diante de um problema, ou de uma série deles, opta por procurar outros caminhos. É só olhar a quantidade de carros voltando de Campinas pra ver que a maioria prefere a reta infinita da Bandeirantes, às curvas da Anhanguera.
Mas nem tudo está perdido para as Ferraris. Ainda existe gente que sabe que não dá pra viver só de retas, mudando o caminho por causa das curvas. Felicidade é o que acontece quando termina uma curva (ou uma sequência delas...). E as curvas, acredite, não vão acabar, a despeito do comercial de uma gasolina dar a entender que a sua grande vantagem é fazer as curvas virarem retas. Por que afinal alguém ia querer isso?! >
As curvas virão. É inevitável. E se você não pode ter uma Ferrari, não se preocupe, carros de rally também são muito divertidos, é só achar um bom co-piloto.

E por aí vai...
Escrito por MM #77 em Sábado, 15 Julho 2006
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