Não pude assistir a corrida no Domingo, mas soube do desfecho e alguns detalhes que só aumentaram minha ansiedade. Vibrei quando vi que a EuroSport ia passar o VT da corrida. Em francês. Mas as imagens são as mesmas no mundo todo, e seria uma boa oportunidade de praticar meu francês. Isso se eu falasse alguma coisa além de sutiã... Mesmo sabendo que Rossi havia vencido a corrida, assisti aflito desde a warm lap. Aliás, foi uma das warm lap mais rápidas que já vi em uma prova de Moto GP. Rossi disparou na frente e nos poucos momentos em que não mostraram a câmera on-board no Guintoli, era possível ver Lorenzo, Toseland e outros disputando freadas com a moto balançando. Uh lá lá. A vantagem dos pneus Bridgestone que em 2007 praticamente definiu o campeonato, parece ter desaparecido completamente. Embora Rossi e Stoner, ambos de Bridgestone, tenham liderado a maior parte da prova, quem fez a diferença foi a Yamaha, emplacando os três lugares no pódio. Rossi fez mais uma corrida fantástica e continuou muito rápido mesmo depois de abrir uma grande vantagem e mesmo depois de começar a garoar. Só diminuiu para pegar uma carona com Angel Nieto na comemoração pelas 90 vitórias, que foi na minha opinião, uma das mais bacanas entre as suas muitas invenções. Pedrosa resistiu por muitas voltas na segunda posição, e mesmo sem o motor com as tais válvulas pneumáticas, permaneceu a frente de Stoner e Edwards. Até que faltando oito voltas foi superado por Lorenzo, que com os tornozelos machucados ou não, veio lá de trás ganhando posições para fechar em segundo lugar. Se a aceleração da Honda é impressionante, as frenagens nem tanto. Pedrosa atribuiu os problemas a escolha do pneu dianteiro, mas também reclamou do traseiro. Os rumores são de que Okada, piloto de testes da Honda, participará como Wild card da próxima etapa na Itália utilizando o motor com válvulas pneumáticas. Deve ser pouco confiável este motor, ou pelo menos Hayden já o usaria. Mas é melhor que amargar quebras, como foi o caso da Ducati, que obrigou Stoner a empurrar a moto até os boxes para tentar voltar com a moto reserva. Pela primeira vez as duas Ducati da equipe satélite chegaram a frente das motos oficiais, que com problemas de motor e pneus, amargaram as duas últimas posições. Nos testes de ontem, ainda em Le Mans, a Ducati diagnosticou o problema e interrompeu prematuramente os testes para evitar mais quebras. Não foi a única a encerrar mais cedo os trabalhos. Na tarde de hoje, apenas Rossi e o piloto de testes do HRC estavam na pista. Rossi agora lidera o campeonato com 3 pontos de vantagem para Lorenzo e Pedrosa, empatados em segundo. Stoner está em terceiro com uma desvantagem de infinitos 41 pontos para o líder. Em quinto lugar está o renovado Colin Edwards, que se não conseguiu ainda vencer uma corrida no Moto GP, desta vez chegou em um politicamente correto terceiro lugar, atrás apenas das Yamaha oficiais. O contrato de Valentino com a Yamaha termina em Junho, mas ele já disse que não tem razão para não renovar, e que ainda pode continuar correndo por mais uns alguns anos. Formidable...
Soube da estória completa agora. Após a confirmação da morte de Robert Dunlop, os organizadores consultaram sua esposa sobre haver ou não uma corrida, e ela disse que Robert faria questão que houvesse. Houve. A prova foi vencida por Michael Dunlop, filho de Robert.
Schumacher levou um chão em uma etapa do Campeonato Alemão de Superkibes quando sua Honda CBR1000RR saiu de frente. Michael havia tido problemas no treino de classificação e largou das últimas posições. Após o tombo ele levantou a moto, mas acabou não continuando a prova. O mais curioso é que antes de ser descoberto por jornalistas, Schumacher havia se inscrito como Marcel Niederhausen. Na última hora ele resolveu assumir a identidade e participar como Michael Schumacher. Mas manteve o numeral da inscrição: Marcel # 77 !
Mal cheguei e recebi a notícia. Robert Dunlop se foi após um acidente durante os treinos para uma prova de 250cc na Irlanda do Norte. O irmão mais novo do lendário Joey Dunlop -Que também faleceu em uma corrida de motos na Estônia em 2000 e cujo o funeral reuniu mais de 50 mil pessoas na Ilha de Man - chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu por volta das 10 da noite de ontem. As circunstâncias do acidente estão sendo investigadas, mas aparentemente houve um problema em sua moto que freou bruscamente arremessando-o. Robert havia se aposentado em 2004, mas voltou a correr no ano seguinte. Tinha 47 anos e era o recordista de vitórias da prova que disputaria neste Domingo, ele havia vencido 15 vezes antes.
Valentino Rossi venceu o GP de Shangai, quebrando o encanto de Lorenzo e acabando com o período de sete corridas sem vitórias. Lorenzo, aliás, teve mais que seu encanto quebrado... Embora tenha obtido um excelente 4o lugar, o fez com fraturas nos tornozelos, fissuras em diversos ossos do pé, e um ligamento rompido, que o forçaram a circular em cadeiras de rodas durante quase todo o fim de semana. Novos exames em Barcelona revelaram que os ferimentos foram ainda piores do que inicialmente havia sido diagnosticado, mas quem conhece Lorenzo garante que pode ser uma tática para iludir seus concorrentes. E quem conhece a unidade móvel de atendimento do MotoGP, garante que não erra em seus diagnósticos. No sábado, após o treino de classificação, Rossi fez sua segunda profecia (a primeira foi que ele venceria a corrida...), dizendo que as seqüelas de Lorenzo desapareceriam durante a prova. Quando Lorenzo deixou a moto morrer na volta de apresentação, tendo que empurra-la, não pareceu estar tão machucado. Nunca vi nenhum piloto circular de cadeira de rodas antes de uma corrida, nem mesmo Dohan, que correu no Brasil com pinos nas pernas...E não é que pilotos sejam orgulhosos. O fato é que se você não pode pisar no chão, não vai poder pilotar uma moto de corrida, com todo o seu peso suportado pelos pés nas pedaleiras (praticamente não se senta no banco de uma moto dessas). Independente da gravidade dos ferimentos ser, ou não, a declarada, Lorenzo fez uma corrida excepcional, com mais disputas que qualquer outro piloto, e com o 4o lugar continua a frente de Rossi no campeonato. A última notícia é que sua participação no próximo GP, em LeMans, estaria ameaçada. Vamos ver... Pedrosa “pediu penico” no final, mas não deixou Valentino em paz durante quase toda a corrida, e com o seu 2o lugar, ainda lidera o campeonato. A Honda ainda não confirmou a estréia do novo motor com válvulas pneumáticas, e com o sistema convencional a velocidade máxima de Pedrosa, assim como das outras Honda, foi mais baixa que as obtidas por Ducati, Yamaha, Kawasaki e Suzuki. Muita gente não entendeu porque ele não aproveitava o vácuo da moto de Rossi na longa reta de Shangai, mas com o motor atual, pegar o vácuo aumenta muito o risco de ultrapassar o limite de giro e estourar o motor. Isso foi agravado pelo vento de popa, que aumentava a velocidade (e a rotação do motor) das motos no final da reta, e causou também diversas saídas de pista na entrada do hairpin. Stoner fez uma corrida solitária, longe de Rossi e Pedrosa, mas seguro na 3a posição. O australiano estava contrariado após a corrida por que a Bridgestone o convenceu a utilizar um pneu traseiro que não funcionou bem, em lugar do que ele havia utilizado nos treinos. Foi a primeira vez que Stoner pareceu irritado após uma corrida desde que chegou ao MotoGP em 2006. É o efeito Rossi. Com a ameaça pública de demissão da Ducati, Melandri encontrou a vontade de correr e fez uma boa prova, chegando na quinta posição, atrás de Lorenzo e a frente de Hayden. Já Edwards, que havia feito uma volta fantástica obtendo a pole-position, foi uma das vítimas do vento no final da reta, e após um erro de frenagem caiu da 3a para a 7a posição, onde acabou a prova, seguida pela Ducati satélite de Tony Elias. A competitividade dos pneus Bridgestone fez da etapa de Shangai uma corrida de tirar o fôlego, e a próxima etapa será em LeMans (dia 18), outra pista em que não há uma marca de pneus favorita. Faça as contas...
Os primeiros treios livres para o GP da China apontam os favoritos, e mais do que isso, adicionam um certo senso de realidade ao campeonato. Rossi fez o melhor tempo até agora, ainda no primeiro dia, com 1m59.974s, e Stoner fez o melhor tempo do segundo dia, com 2m00.163s. Pedrosa ficou com o terceiro melhor tempo, seguido por Nakano e Hopkins. Lorenzo? Antes do highside da foto, Lorenzo tinha um tempo de 2m02, que o deixa na última posição no grid, mas o pior de tudo é que uma fratura no tornozelo pode deixa-lo de molho ou muito prejudicado, tanto para o treino oficial, como para a corrida. O senso de realidade tarda, mas uma hora bate. Lorenzo é um piloto excepcional e provou isso nas 250cc, além disso, as MOtoGP de 800cc são mais fáceis de pilotar que as antigas 990cc, e muito, muito mais fáceis que as 500cc de 2 tempos, com as quais Rossi chegou a a vencer um campeonato, e cue costumavam separar os homens dos meninos. Como Hamilton na McLaren ano passado, na melhor equipe e com o melhor equipamento, Lorenzo começou sua carreira no MotoGP sendo mais rápido do que as mais otimistas expectativas. Não me entenda mal. Mesmo o fato dos pneus Michelin terem sido bem melhores nas etapas anteriores, nada tira o crédito do garoto espanhol e seu estilo arrojado. Mas andar rápido é mais simples que andar rápido sem cair, e ao contrário da fórmula 1, as diferenças de equipamento e equipe não são tão grandes no Moto GP, ao ponto de levar um ano para que as coisas se acomodem novamente. Meu palpite é que estão se acomodando agora mesmo. Quer dizer que Lorenzo não vai brigar pelo campeonato? Pode ter certeza que vai, mas em condições iguais, como parece ser o caso na China, Rossi, Stoner e Pedrosa tendem a permancer a sua frente. Ou não. Sempre leva algum tempo para eu reconhecer um novo "fenômeno". Resiti ao Hamilton, mesmo com toda a opinião pública e especializada fazendo coro a seu favor. Talvez eu estivesse certo, talvez ele prove que eu estava errado, Mas quem quer ser um fenômeno? Quando o cara cujo "sobrenome" é fenômeno, pega uma garota de programa na rua, descobre que não É uma garota (e nega que estivesse sob efeitos de drogas?), a deixa com o documento do seu carro, e depois de ter fotos e vídeos gravados em um celeular, acaba em uma delegacia alegando problemas psicológicos, o sentido da palavra fenômeno perde todo o sentido.
As peruas esportivas estão na moda, e não estou falando de dondocas que passam o dia na academia. As versões wagon esportivas existem há muitos anos na Europa, e algumas vendem até mais que suas respectivas versões sedã. A Audi tem tradição no segmento, e já teve modelos como a RS4 (aquela com motor preparado pela Porsche), disponível exclusivamente na versão wagon. A BMW lançou recentemente a perua M5 e a Mercedes tem a sua perua AMG E63, ambas com mais de 500 cavalos de potência e derivadas de sedãs grandes. Coincidência ou não (provavelmente não...), o público alvo destes carros é o mesmo das dondocas que passam o dia em academias: Senhores com muita grana, que gostam de performance e belas formas, de parecer que não estão fazendo força para aparecer e com muita grana (quanto mais melhor).
Além destas versões caríssimas de modelos de luxo, a única opção realmente esportiva de perua era o Subaru Impreza, mas a versão wagon STI foi aposententada em 2002 e a versão WRX foi descontinuada este ano. Não chegavam a ser grandes peruas, mas encaravam o trabalho com naturalidade e todos os dias, de manhã, à tarde ou mesmo na hora do almoço, estavam prontas para a uma sessão de spinning. Talvez não dessem o mesmo status de andar com uma grande perua, mas a performance é excelente e os donos conhecem o seu real potencial. Cada passeio é uma diversão.
Agora a VW está lançando a versão esportiva da Variant Passat, que embora não esteja exatamente na mesma faixa de preço ocupada pelas antigas wagon Impreza, sai bem mais em conta que uma M5 ou AMG E63. Com motor de seis cilindros 3.6, entrega 296bhp e segundo a fábrica vai de 0 a 100 em menos de 6 segundos. As linhas são limpas, nada de (mini) saias, apliques ou truqes visuais para passar a sensação de esportividade. Ela não precisa, afinal é mais rápida que um Golf GTI e até mesmo que o Golf R32.
Em tempos de tuning, pinturas especiais, acessórios exóticos e turbinas, é uma boa notícia saber que ainda existem carros que são genuínamente esportivos e ao mesmo tempo práticos no dia a dia, sem ter que recorrer a truqes e preparações, que quase sempre deixam detalhes importantes, como por exemplo os freios, para trás. Se você já tentou andar rápido com um modelo tunado, sabe do que estou falando. Na maior parte, a sensação de esportividade acaba assim que se liga o motor, nas curvas falta compostura, são pouco confiáveis e os tais apliques não costumam resistir por muito tempo. Vou evitar uma última e tentadora analogia, mas para o bom entendedor... Resta saber porém, quem é o público alvo. Candidatos?
Troy Bayliss vai se despedindo das competições em alto estilo. Na etapa de Assen liderou os treinos e venceu as duas baterias, abrindo 70 pontos de vantagem em apenas quatro etapas do Mundial de Superbikes. Bayliss e a Ducati estão em grande forma, mas boa parte da dominância deste ano se deve aos erros e problemas dos outros pilotos. Os tombos de Biaggi lhe custaram pontos importantes para o campeonato e ainda em recuperação, ele não está totalmente competitivo. Chegou em 10o na primeira bateria e 12o com a Ducati satélite. Mais ou menos a mesma coisa está acontecendo com seu compatriota, Michel Fabrizio, que corre com a outra Ducati oficial. Fabrizio levou um chão na primeira bateria e não correu a segunda. Rubens Xaus foi derrubado por Haga, que provou ser literalmente a maior ameaça às Ducati ao escorregar no apertado hairpin Strubben. Carlos Checa ainda conseguiu um segundo lugar com uma ultrapassagem arriscada, mas desta vez bem sucedida, poucas voltas antes do final da segunda bateria. Mas a esta altura não havia mais concorrrentes para Bayliss. E a vantagem da Ducati foi assunto dos mais comentados pelos pilotos das outras equipes, alguns já declararam que o regulamento deveria ser revisto para equiparar as coisas. Em um campeonato onde o principal atributo é a competitividade das marcas, isso pode ser o princípio de mais uma restrição a equipe Italiana, algo que já aconteceu antes em situações similares.
Escrito por MM #77 em Segunda-feira, 28 Abril 2008
Sebastian Loeb perdeu a liderança do campeonato ao ser obrigado a abandonar a etapa inaugural do Rally da Jordânia, por conta de um acidente que destruiu seu Citroen C4. A pancada ocorreu em um trecho de deslocamento, ou seja, que não contava para o resultado da etapa. E Loeb, que retornava de sua especial, bateu de frente com outro competidor que se dirigia para a largada da sua. Com isso Hirvonen, de Focus, venceu a etapa e assumiu a liderança do campeonato. A etapa foi boa, não apenas por ser a primeira vez que o WRC corria ali, mas pelos trechos sinuosos cercados de precipícios que lembram um pouco as etapas de pikes peek dos anos 90. Sentiu saudades? Vale a pena ver o vídeo abaixo
Escrito por MM #77 em Segunda-feira, 28 Abril 2008
O All racing é a versão generalista do MotoSPRacing (o site sobre motovelocidade menos atualizado do mundo, sem nada novo há 6 anos e contando!), abrangendo tudo o que envolve velocidade e competição sobre rodas, de comentários sobre a F1 até test-drive de carrinho de supermercado, passando é claro pelas corridas do Time.
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Marcelo Manna